sexta-feira, 30 de junho de 2017

Um toque feminino. Avanços retrocessos.

Participarei neste fim de semana do primeiro congresso de funcionários e funcionárias do BB, literalmente,  de funcionários e funcionárias. Assim, paritário.  Estou orgulhosa de ter participado ativamente do processo que trouxe a esse congresso a paridade. Ainda que enfrentando a opinião de alguns homens (e pasmem, algumas mulheres) da minha corrente, e também de outras, que se sentiram atropelados pelo momento de levante das mulheres do BB.  A principal preocupação de muitos desses dirigentes era de acontecerem cortes de vagas de dirigentes homens caso não houvesse mulheres para levar ao congresso!!! Imaginem isso... Um ano inteiro para ir à base, conversar e convencer as trabalhadoras a participar de um movimento de trabalhadores e eles se sentiam melindrados... Melindrados?  Sei... Sabemos... 


Registro aqui meus parabéns às bases sindicais e aos homens que não se sentiram ameaçados e vibraram junto por esse avanço, que foram além e estão trazendo mais mulheres ao congresso  sem precisarem ser obrigadas a isso. A mudança deve ocorrer no despertar da consciência e não,  ela não precisa ser gradativa. Ela pode sim ser revolucionária.  Explosiva, incendiária... Ser revolucionária é uma característica feminista.  

Lamento que às vezes alguns avanços sejam utilizados de forma maquiavélica... Confesso: Ainda  não entendi bem como funciona uma ação afirmativa com limitador...


Alguns dados para pensarmos:  As mulheres são hoje mais de  60% da força de trabalho na categoria bancária (reflexo com exceção no Banco do Brasil, onde se percebe o quanto é novo o direito da mulher prestar concursos públicos). Poucas não trabalham no regime de dupla e até tripla jornada. Menos de 40% exercem cargos de chefia ou negócios.

Pesquisando sobre achei "um banco de informações sobre o trabalho das mulheres no Brasil, que contém séries históricas a partir de 1970" muito interessante. Vejam em 

http://www.fcc.org.br/bdmulheres/


Retomando sobre o congresso: Temos muito que discutir sobre o atual momento pelo qual passa o país.  Está batendo a nossa porta uma crise política e um enorme retrocesso no mundo do trabalhador.  As forças conservadoras,  unidas por uma "missão" de derrotar a classe trabalhadora e desmontar o país estão trabalhando a toque de caixa. Um presidente ilegítimo,  golpista,  corrupto e comprometido em derrotar os trabalhadores vendendo direitos em uma reforma trabalhista e providenciária que traz 75 anos de atraso ao país. É preciso urgentemente mobilizar a massa trabalhadora, fazendo entender que cada um de nós é responsável pelo que possa vir a acontecer. Outro registro importante que devo fazer é sobre o último 26 de junho, na sede do Seeb Rio, onde se fizeram presentes vários funcionários do extinto BANERJ, exemplo vivo do desmonte do Estado do Rio de Janeiro. Lembrando que fazem 20 anos da luta e resistência que travaram contra a venda do banco para o Itau (que "ganhou" as contas do Estado nessa compra bonificada). Um banco público,  estadual que serve de exemplo ao que vem por aí do que vamos enfrentar. Não podemos deixar acontecer ao BB e aos demais bancos públicos o que sofreram os bancos estaduais, como foi o caso do BANERJ.  São agências digitais e terceirização transformando funcionários em PJ (retirando direitos trabalhistas), a supressão de agências,  a reestruturação sumindo com comissões e vagas. São trabalhadoras e trabalhadores sendo castrados em seus direitos a todo momento.  É preciso mobilizar. É preciso seguir em frente na luta. É preciso seguir o exemplo das mulheres presentes no último congresso e atropelar e surpreender esse governo entreguista. Nossa luta merece esse toque revolucionário feminista!






Luciana Vieira

Diretora Seeb/Cut Rio

Bancária